segunda-feira, 11 de julho de 2011

Envenenamento – Crime Ambiental

Os envenenamentos lideram o “ranking” de mortes abruptas e os animais de pequeno porte são mais vulneráveis a esse tipo perigos

Envenenamentos são ocorrências comuns nas clínicas veterinárias.

A veterinária Renata Sardito, da clínica CPNA – Centro de Planejamento de Natalidade Animal, em São Paulo, explica: “Os gatos são mais atingidos por toda forma de violência e não é diferente no caso dos venenos. Mas, apesar disso, os cães vêm em maior quantidade à clínica para atendimento emergencial, porque os gatos costumam passear sozinhos, acabam ingerindo veneno fora de casa e morrendo sem socorro. Enquanto que os cães, normalmente, são envenenados no próprio quintal de casa ou nos passeios com o proprietário, facilitando a descoberta do envenenamento.”

Mortes por envenenamento lideram o “ranking” de mortes abruptas, seguidos por mortes por atropelamento. Os envenenamentos mais comuns acontecem com rodenticidas anticoagulantes, os mata-ratos e com estricnina.

“Através dos sintomas é possível ter uma ideia do veneno usado. Por exemplo: com rodenticidas anticoagulantes, o animal tem hemorragia, as mucosas ficam pálidas, ocorre letargia e depressão. Com a estricnina ocorrem convulsões, rigidez muscular, taquicardia, hipertermia, apneia e vômito”, diz Renata.

No Brasil, uma portaria de 1980 proíbe produtos contendo estricnina, que figura na lista da Anvisa de substâncias proscritas no país. No entanto, há locais que comercializam o veneno ilegalmente.
Nos envenenamentos por inseticidas, os sintomas são salivação, lacrimação, diarreia, vômito, constrição das pupilas, contrações musculares, respiração asmática, convulsões e coma.

Outras substâncias que os proprietários podem considerar inofensivas também são culpadas por intoxicações de pequenos animais: remédios de uso humano; aspirina, mertiolate e água boricada, por exemplo. Sprays e inseticidas, desinfetantes, ceras e outros produtos de limpeza usados em casa podem também intoxicar o animal. Além disso, muitos proprietários ainda medicam seus animais com produtos de uso humano.

A veterinária relata um caso marcante que atendeu, em que o animal foi envenenado com chumbo e outro rodenticida anticoagulante, conforme verificou através da necropsia. “A pessoa que o envenenou provavelmente não sabia que ‘chumbinho’ é o nome popular de um tipo de veneno; e não o chumbinho usado como munição”, diz ela.

O chumbinho ou veneno 1080 é um dos venenos mais conhecidos pelo público, à base de estricnina. Muito utilizado no combate aos ratos, o monofluoracetato de sódio é considerado o mais perigoso do mundo porque não tem cor, cheiro ou sabor; é altamente solúvel em água e facilmente absorvido pela pele. Não há nenhum antídoto conhecido e uma colher de chá do veneno pode matar até 100 pessoas adultas.

A morte provocada pelo 1080 é difícil de determinar já que os sintomas se parecem com aqueles de um ataque cardíaco. Os sintomas aparecem cerca de 30 minutos após a exposição ao produto e a morte pode acontecer entre duas e sete horas. Vale ressaltar que o chumbinho pode ter várias composições, além das citadas acima, de acordo com a região do país em que é encontrado.

O chumbinho não mata apenas o animal envenenado, mas também os outros que estiverem dentro da sua cadeia alimentar. No Brasil, são registradas cerca de 200 mortes de crianças causadas pelo chumbinho por ano.

Envenenamentos provocados por mais de um tipo de veneno são uma prática comum, o que dificulta o socorro rápido. “Às vezes, os ‘agressores’ misturam dois ou mais venenos diferentes em uma mesma isca. O animal começa a ter vários sintomas, dificultando a identificação dos venenos. Neste caso eu costumo usar todos os antídotos juntos”, reforça a veterinária.

O envenenamento de animais está previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal 9.605, de 13/02/98). O artigo 32 da lei diz que é considerado crime ambiental “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”. A pena prevista é detenção de três meses a um ano e multa.

Agradecimentos a Renata Sanita Ardito, médica veterinária do CPNA (Centro de Planejamento de Natalidade Animal) especializada em  esterilização.


Fonte: http://www.pequenoscaes.com.br/envenenamento.php

Os Dez Mandamentos da Posse Responsável de Cães e Gatos

ARCA BRASIL - Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal: Os Dez Mandamentos ARCA Brasil da Posse Responsável de Cães e Gatos

Proteção e Bem-Estar Animal

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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Quando carinho pode ser excessivo

Ayrton Mugnaini Jr., especial para o Yahoo! Brasil16 Jun 2011 05:06:07
“Love, love, love...” Nunca será demais lembrar que amor e carinho são sempre bons, inclusive entre humanos e peludos, que não se chamam “pets” à toa (para quem não se lembra,“pet” em inglês significa justamente afagar, acarinhar), ainda mais nesta época que tanto valoriza a violência de Tarantinos, Schwarzeneggers e funks cariocas e que até deu má fama a pitbulls e rottweillers.
Por outro lado, dar aos caninos excesso de carinho – especialmente quando ainda filhotes – é tão prejudicial quanto mimar demais as crianças. Embora os bichos tenham sentimentos bem mais simples que os humanos, quase somente instintos e reações a clima, fome, dor etc., eles também merecem e precisam de carinho, e vale também para eles o famoso verso de Erasmo Carlos: “Proteção desprotege e carinho demais faz arrepender”.

Carinho para filhotes

Tal como fazemos com nossas crianças, devemos educar os cães com carinho não mais que o suficiente desde filhotinhos. Se o peludinho for deixado só (especialmente logo após ter sido afastado da mãe e da ninhada) e começar a ganir e latir de aflição (ou “chorar” em termos humanos), o que pode acontecer se o enchemos de beijinhos e abraços dizendo “ah, cachorrinho, tadinho, ficou sozinho”? Ora, muito simples: ele deduzirá que latir atrai carinho e quanto mais ele latir mais carinho ganhará. Não é o que desejamos para o cão, nós mesmos e, claro, vizinhos cuja canção preferida não costuma ser latidos e ganidos noite adentro. (A solução é socializar o bicho com atenção, atividades, brinquedos e o melhor ambiente, com carinho, sim, mas não demais).
Ao sair de casa, nada de “adeus, amor, eu vou partir” e longas despedidas. Filhotes não sabem administrar saudades e ficarão ansiosos pelo sumiço do dono, e é bom também evitar voltas ao lar muito efusivas. O ideal é um carinho rápido na saída e na volta. Tudo bem “conversas”, desabafos e abraços intermináveis quando o cão tiver cerca de um ano de idade e já estiver mais maduro e socializado. Entre abraços e beijos parece-me apropriado lembrar a frase de Agatha Christie que diz: “Cães são sábios. Eles rastejam para um canto sossegado para lamberem as feridas, e só voltam para o mundo quando estão inteiros de novo”.
Se o cão estiver muito nervoso, o ideal é não tentar acalmá-lo com carinho, pois ele pode entender que está sendo premiado por ficar nervoso. (Por sinal, melhor que tentar acalmar o cão é prevenir antes que ele fique nervoso, dando-lhe bastante atividade física, aplicando o comando de “quieto” e acalmando a si mesmo(a) e ao próprio ambiente).
Carregar o cão no colo é apropriado se ele tiver machucado pata ou perna, o chão estiver muito quente ou normas de condomínio assim o exigirem (e é recomendado sempre levar o bicho no colinho ao pegar o elevador), e nem há muito problema nisso, contanto que o dono aguente o peso do bicho – mas nada de levar o cão no colo em banco dianteiro de automóvel; o certo é no banco traseiro, preferencialmente com cinto de segurança ou caixinha de transporte. Dormir com o cão na mesma cama pode ser bom – desde que ele seja educado para descer dela quando solicitado; muitos donos se esquecem de que o filhotinho de hoje é o amigão de amanhã, podendo pesar até uns 20 quilos.
Beijar os peludos queridos também é bom, normalmente no alto da cabeça – mas há muitos adeptos de “selinhos” caninos, que beijam os cães na boca. Algum problema? Bem... Muita polêmica, com certeza: há quem diga que beijar pessoas na boca é muito mais “nojento” e “anti-higiênico”; outros relevam o cão lambendo determinadas partes do seu próprio corpo e de outros cães; e há quem jure que humanos são imunes a determinadas bactérias que atacam os cães e vice-versa (o que não é verdade!)... Enfim, o melhor é eu não me meter em assuntos pessoais (ou, no caso, canino-pessoais) de outrem. Por sinal , a noção de a saliva canina ser um poderoso antisséptico é um dos grandes mitos caninos – e estes serão o assunto da próxima matéria!